Rumo ao hexa, porra! (EMOCIONOU!!!!)
Rumo ao hexa, porra!
por C.A. - Quinta-Feira, 3 de Dezembro de 2009, às 12:08
[Este texto vai na intenção do grande rubro-negro Luiz Carlos Fraga]
A vigarice segundo a qual um clube com as tradições do Grêmio possa entregar um jogo - jamais! - tem origem na canalha que comanda a imprensa paulista e que pretende esvaziar um certame que não terá - não terá! - por campeão o "grande modelo de organização e gestão" que é o escrotíssimo São Paulo Futebol Clube.
(E a arrogância absolutamente nojenta do engodo Rogério Ceni - responsável, como Kaká, por este futebol asséptico de hoje - terá de entubar que a monumental bagunça do Clube de Regatas do Flamengo seja tão hexa quanto a bambizada escorreita do Morumbi). (Sinceramente: que se foda o planejamento se pudermos viver, vez ou outra, uma irresistível arrancada como esta do onze rubro-negro).
Em primeiríssimo lugar: o Flamengo é hoje líder do campeonato brasileiro, com dois pontos de vantagem sobre os demais postulantes, por méritos seus absolutos. Porque venceu, canalhada! (E que se saiba reconhecer - sem chororô - a honra alheia, a dignidade de quem triunfa sob as regras, honesta e claramente).
O Flamengo só depende de si - é o único - e isso não se deve a armações de bastidor e desonras esportivas outras.
Não! (E que se saiba reconhecer - sem chororô, repito - a glória alheia, lograda, gol a gol, sobre os gramados de um país inteiro, na bola, em 38 partidas!, como se deve sempre decidir o jogo). (Que se saiba reconhecer, canalhada, que a glória também pode ser alheia).
A extraordinária posição do Flamengo - invejável, sim - decorre do futebol e foi conquistada no campo, na peleja, no jogo jogado, nas vitórias, no fato incontornável e decisivo segundo o qual, nos confrontos diretos com Internacional, Palmeiras e São Paulo, dentro e fora do Maracanã, só perdeu uma, contra o Palestra. (E o futebol será sempre melhor - e mais interessante - quando tratado como… futebol).
Se, ao final do domingo, o Flamengo for o campeão, assim o será pelo mesmo motivo que ora o põe sozinho na liderança: porque terá vencido um - mais um - respeitável oponente.
A privilegiada situação do Flamengo decorre essencialmente de algo incontornável - e poderoso: o Flamengo, o Flamengo comandado por este fabuloso Andrade, joga como Flamengo. (E aí, canalhada, aí não tem jeito: a gente vai atrás, o negócio ganha corpo, e algumas verdades se restabelecem, colocando "estrutura", "centro de treinamento", "planejamento" etc. na secundária ordem empresarial a que pertencem: é no relvado que a parada se decide e, nele, ah!, nele convém não deixar o Flamengo chegar).
É tudo muito simples.
Tão simples que resultará, a propósito dos técnicos de futebol, numa profunda revisão do modelo absurdo que paga 500 mil a figuras como Wanderley Luxemburgo e Muricy Ramalho - tidos e havidos como sumidades, como mestres, como doutores, tudo em detrimento do esporte, do jogador, do craque, daquele que decide. (E quero então relembrar uma frase minha antiga: técnico de futebol é que nem rainha de bateria e tanto melhor será quanto menos atrapalhar).
E eis Andrade, com sua dicção precária, vestido com roupas esportivas, discreto, um ex-craque que sempre soube ser coadjuvante, de Zico, quando atleta, e de Bruno Mezenga, hoje, quando treinador.
O leitor compreende?
Porra: eu sou fã do Carlinhos, o maior treinador da história do Flamengo; e como não pensar nele, no "Violino", ao ver o Andrade? Como não lembrar que Carlinhos, também ex-jogador rubro-negro, outrora também um refinado volante, foi técnico de Andrade naquela mítica final - contra o Inter, ora-ora - do Brasileiro de 1987?
O leitor compreende?
É o futebol em estado bruto, com o craque à frente, sempre - com Petkovic e Adriano -, mas com todo o caráter do que é herança, do que permanece, do que se transfere às novas gerações.
O leitor compreende?
Carlinhos, Andrade, Petkovic, Adriano…
Petkovic. De novo. E como não pensar na alegria que senti ao ver o chute genial vencer o arqueiro cruzmaltino e decretar - aos 43 do segundo-tempo - o tri de 2001?
O leitor compreende?
Adriano também estava lá. Revejam aquele gol. Reparem no momento em que Pet, talvez no instante em que compreendia a própria imortalidade, cai ao chão, morto e renascido, e vejam o jovem Adriano, camisa 18 [um promissor reserva], a pular e invadir o campo para comemorar…
O leitor compreende?
Sim, é o que quero dizer: tudo se encaixa, tudo faz sentido, tudo permanece e permanecerá - porque orgânico, vivo e consistente!, é o Clube de Regatas do Flamengo.
O leitor compreende?
O Flamengo, este Flamengo que é novamente Flamengo, botou a razão, o tipo racional em que me transformei, em seu devido [e bastardo] lugar, e devolveu-me a deliciosa estupidez da mobilização total por um jogo de futebol - algo de que já me julgava incapaz.
E como, sem saber, eu me ressentia disso!
Como me fazia falta estuporar a garganta num grito de gol…
Ao longo desses anos todos - acho que desde Petkovic, em 2001 - fui muito ao Maracanã [fui campeão algumas vezes], sim, mas sempre, hoje vejo, de maneira superficial… Que imbecil!
Há quanto tempo - quanto desperdício! - não elevava esta formidável irrelevância que é o futebol ao que de fato e gloriosamente é: a identidade de um homem.
Eu abri meus olhos… E o que hoje sou?
Sou Flamengo, porra!
E quero escrever aos vagabundos que, diante do provável fracasso do São Paulo e do futebol paulista neste campeonato brasileiro, logo se adiantam em desqualificar o torneio, que baixo nível técnico - essa invenção aviadada - é o cacete!
Um certame que chega à sua rodada final com quatro postulantes ao título - e isso sem considerar a épica disputa contra o rebaixamento - é construído pelo equilíbrio, pela competição incansável, pelas alternativas cardíacas, pelas reviravoltas coronarianas, pelos gols de exceção, pelos estádios lotados; um certame como este, em que nos roubaram a cerveja e outros tantos e fundamentais prazeres de torcedor, é de alto nível porque ainda assim resiste e cultiva esta rara, cada vez mais rara, capacidade de emocionar.
Isto é alto nível, canalhada!
Domingo, no Maracanã, aconteça o que acontecer, serei eu - serei Flamengo, seria hexa - mais que nunca: estarei com os meus amigos maiores, assim como deve ser sempre.
http://www.tribuneiros.com/2009/12/03/rumo-ao-hexa/Att,
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